EVOLUÇÃO DA MEDICINA – UM DIREITO DE TODOS!

 

CÂNCER, UMA VISÃO SENTIMENTAL

Texto do Dr. Waldemar Carvalho – Por muitos anos da minha vida lidei com doenças fatais, digo doenças infecto-contagiosas como HIV/AIDS e HEPATITES. Em meados da década de noventa percebi que o diagnóstico de AIDS era sinônimo de morte e que por muitas vezes ouvia dos pacientes que era melhor ter câncer a AIDS, pois a família pelo menos estaria junto no derradeiro momento da passagem para o Oriente Eterno.
O tempo passou, novas pesquisas tanto para o tratamento do câncer como da AIDS surgiam, mas a morte ainda parecia inevitável. A chegada de novas medicações aumentou a expectativa de vida dos Aidéticos que agora passavam a ser apenas portadores do HIV. Novos diagnósticos permitiram o rastreamento precoce de lesões cancerígenas e assim os tratamentos se tornavam mais eficazes.
Diante da evolução da medicina, houve uma mudança no olhar para o futuro, ou seja, começou a existir um futuro. E como tal, muitos casais portadores destas enfermidades despertaram para a possibilidade de terem seus próprios descendentes. Assim iniciou-se uma fase na qual os avanços da medicina reprodutiva passaram a ser a esperança, tanto para os pacientes com câncer, como para os portadores do HIV.
Os termos preservação da fertilidade e lavagem seminal foram assuntos deste novo milênio, onde congelar gametas e retirar partículas virais do HIV, entre outras viroses, tornou-se o foco para o crescimento de novos tipos de laboratórios especializados, dentro da Reprodução Assistida…
E onde fica o sentimento? Logo no início ouvi dizer que era melhor ter câncer a AIDS e agora, em menos de 15 anos, muitos preferem ter HIV a câncer. O sentimento fica na esperança de que todos tenham acesso indistintamente aos recursos que tornaram possível toda esta evolução da medicina e que não exista mais negligência dos que estão no poder, em fazer que os direitos sejam iguais para todos…